O Tribunal Federal determinou que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) apresenta um programa de inspeção de revendedores e pontos de fornecimento para combustível de aviação no estado de Roraima. A medida visa interromper o fornecimento de aviões que servem à operação de mineração ilegal na Amazônia, especialmente em territórios indígenas. A decisão é o último dia 19.
A medida está em conformidade com uma representação do Ministério Público Federal em Roraima (MPF/RR) que considera que o fluxo de combustível na região permitiu a proliferação de irregularidades que contribuem para o funcionamento da mineração ilegal em Roraima, especialmente nas terras indígenas de Yanomami.
O promotor André Luiz Poreca Ferreira Cunha, autor do pedido, argumentou na reivindicação perante o Tribunal que a inspeção feita na região pela ANP é limitada a “ações paliativas, tardias e insuficientes”.
“Essa omissão do Estado resultou em uma grave degradação ambiental, violação dos direitos fundamentais dos povos indígenas e a afronta a legislação que governa a proteção do patrimônio ecológico e a regulamentação das atividades econômicas”, escreveu ele na ação que surgiu dentro de uma investigação civil.
O cálculo de supostos crimes de combustível identificou que o ANP permitiu a existência de registros de pontos de suprimento que “nem sequer existiam fisicamente”. “As minas não funcionam sem combustível. Sem combustível, não há mineração na Amazônia”, disse Draca em entrevista a Metrópole.
Responsável pelo caso, o juiz Diego Carmo de Sousa aceitou a solicitação do MPF/RR e concedeu um período de 15 dias para o ANP apresentar um cronograma para a supervisão de fornecedores de combustível para a aviação.
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Em resposta a MetrópoleANP, por meio da Office de Imprensa, disse que o cronograma solicitado já foi apresentado. A agência acrescentou que intensificou o trabalho de inspeção desde 2023 e, a partir do momento, havia vários tipos de tipo, incluindo a emissão de 134 avisos de violação em Roraima em 2024, com 27 interdições.
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“Os inspetores da ANP estão em uma ação contínua para apoiar as terras indígenas de Yanomami desde março de 2024 em um grupo de trabalho coordenado pela casa do governo federal”, acrescentou a resposta.